sábado, 17 de janeiro de 2009

Metade de mim ...

Que a força do medo que tenho.
Não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo em que acredito.
Não me tape os ouvidos e a boca.
Porque metade de mim é o que eu grito...


Mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe. Seja linda ainda que tristeza.
Que o homem que eu amo seja pra sempre amado.
Mesmo que distante.
Porque metade de mim é partida.

Mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que falo.
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor.
Apenas respeitadas.
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimento
Porque metade de mim é o que ouço.
Mas a outra metade é o que calo


Que essa minha vontade de ir embora.
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
E que essa tensão que me corrói por dentro.
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que penso.
E a outra metade um vulcão.


Que o medo da solidão se afaste. E que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso que eu me lembro ter dado na infância
Porque metade de mim é a lembrança do que fui.
E a outra metade não sei


Que não seja preciso mais que uma simples alegria.
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais.
Porque metade de mim é abrigo. Mas a outra metade é cansaço


Que a arte nos aponte uma resposta.
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar. Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia. E a outra metade é a canção


E que a minha loucura seja perdoada.
Porque metade de mim é amor.
E a outra metade também.

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